
O nível bac +6 não corresponde a nenhum escalão distinto na nomenclatura oficial dos diplomas na França. O quadro nacional de certificações, alinhado ao quadro europeu (CEC), classifica as formações pós-mestrado no mesmo nível que o próprio mestrado: o nível 7. Essa ausência de categoria própria cria uma confusão que as instituições e os estudantes preenchem cada um à sua maneira.
Por que o bac +6 não existe no RNCP

O Registro Nacional de Certificações Profissionais (RNCP), gerido pela France compétences, organiza os diplomas e títulos profissionais segundo oito níveis, do nível 1 (sem qualificação) ao nível 8 (doutorado). O mestrado, obtido após cinco anos de estudos superiores, situa-se no nível 7. O doutorado, que geralmente requer oito anos de estudos, ocupa o nível 8.
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Entre esses dois níveis, nada. Nenhum nível intermediário corresponde a bac +6 no RNCP. Um estudante que prossegue um ano de especialização após seu mestrado permanece, do ponto de vista regulatório, portador de uma certificação de nível 7. O Código da Educação não menciona um “nível 6 anos após o bac” como categoria autônoma.
Para entender precisamente qual é o nível bac +6 no sistema francês, é necessário distinguir o que dizem os textos oficiais do que praticam as escolas em sua comunicação.
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Mastère especializado e selo CGE: a realidade do bac +6 na França

Se o RNCP ignora o bac +6, o campo fez com que ele existisse por outro canal. O Mastère especializado (MS) é um diploma de instituição criado e acreditado pela Conferência das Grandes Escolas (CGE). Ele se destina a titulares de um mestrado ou de um diploma de engenharia que desejam adquirir uma dupla competência ou uma expertise setorial em um ano adicional.
O Mastère especializado é a formação mais diretamente associada ao bac +6. Escolas como Mines Paris – PSL, a ENSTA, a ITECH ou a ESCP oferecem programas desse tipo em áreas que vão da ciência de dados à gestão da saúde. A EHESP, por exemplo, qualifica oficialmente seu Mastère especializado em Gestão da Saúde como “Pós-Mestrado, Nível 7, bac +6”.
Essa formulação resume bem a ambiguidade: a escola reconhece que a formação dura seis anos após o bac, enquanto a vincula ao nível 7 do quadro europeu. O selo CGE garante um caderno de encargos (carga horária, tese profissional, estágio), mas não cria um escalão adicional na nomenclatura do Estado.
O que o selo CGE garante e o que não garante
A CGE acredita os programas de Mastère especializado segundo critérios de qualidade pedagógica. O selo atesta um nível de especialização pós-mestrado reconhecido pelo mundo profissional.
- O selo CGE é uma marca registrada, não um grau universitário conferido pelo Estado como a licenciatura, o mestrado ou o doutorado
- Um Mastère especializado pode ser inscrito no RNCP no nível 7, mas essa inscrição não é automática nem obrigatória para todos os programas
- A menção “bac +6” pertence à comunicação institucional das escolas, não a uma categoria jurídica do ministério do Ensino Superior
Essa distinção tem consequências concretas. Em um concurso da função pública que exige um diploma de nível 7, um Mastère especializado inscrito no RNCP será aceito. Por outro lado, a menção bac +6 sozinha, sem inscrição no RNCP, não constitui uma prova de nível no sentido regulatório.
Nível 7 do quadro europeu: o que realmente cobre essa classificação
O quadro europeu de certificações (CEC) foi concebido para facilitar a legibilidade dos diplomas entre os países membros. O nível 7 agrupa perfis variados: um titular de um mestrado de pesquisa, um engenheiro graduado e um portador de Mastère especializado estão todos classificados no mesmo escalão.
O nível 7 abrange, portanto, durações de estudos que vão de cinco a seis anos, ou até mais para alguns cursos que combinam interrupções ou duplo diploma. O CEC não mede anos de estudos, mas sim resultados de aprendizagem: saberes, aptidões e competências. Duas formações de durações diferentes podem resultar no mesmo nível se os resultados esperados forem comparáveis.
Essa lógica explica por que o bac +6 não recebeu um nível próprio. Do ponto de vista europeu, um ano adicional de especialização após o mestrado não produz necessariamente uma diferença de competências suficiente para justificar um nível 7 bis ou um nível 7.5.
Confusão frequente entre nível de diploma e número de anos de estudos
A correspondência entre anos pós-bac e níveis RNCP funciona de maneira simples até o mestrado: bac +2 corresponde ao nível 5, bac +3 ao nível 6 (licenciatura), bac +5 ao nível 7. Muitos estudantes prolongam essa lógica aritmética e esperam encontrar um nível 8 em bac +6, ou pelo menos um subnível dedicado.
A realidade é diferente. O nível 8 do RNCP é reservado ao doutorado, que valida um trabalho de pesquisa original ao longo de vários anos. Nenhum diploma de especialização profissional de um ano pode reivindicar isso, independentemente de sua qualidade.
Essa confusão não é trivial. Ela leva às vezes candidatos a superestimar o peso administrativo de um Mastère especializado em processos onde apenas o nível RNCP conta (equivalência no exterior, recrutamento na função pública, validação por um organismo financiador). Verificar a inscrição efetiva de uma formação no RNCP continua sendo o reflexo mais confiável antes de se comprometer.
Nomenclatura francesa dos níveis de diploma
| Anos após o bac | Nível RNCP / CEC | Diplomas comuns |
|---|---|---|
| Bac +2 | Nível 5 | BTS, DEUST |
| Bac +3 | Nível 6 | Licenciatura, BUT, DNMADE |
| Bac +5 | Nível 7 | Mestrado, diploma de engenheiro |
| Bac +6 | Nível 7 (idêntico ao mestrado) | Mastère especializado (selo CGE) |
| Bac +8 | Nível 8 | Doutorado |
O bac +6 permanece classificado como nível 7, assim como o bac +5. A nomenclatura oficial não lhe confere uma denominação distinta. Para um estudante ou um recrutador, a única questão pertinente não é o número de anos passados em formação, mas o nível RNCP efetivamente atribuído ao título obtido.